Art. 27º. Não constituem abusos no exercício da liberdade de manifestação do pensamento e de informação: III - noticiar ou comentar, resumida ou amplamente, projetos e atos de poder Legislativo, bem como debates e críticas a seu respeito; VI - a divulgação, a discussão e a crítica de atos e decisões do poder Executivo e seus agentes, desde que não se trate de matéria de natureza reservada ou sigilos;
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Entre todos existe algo estranho...
...É como colocar o próprio homem num círculo vicioso cheio de coisa alguma. Vivemos engolindo os dias e bocejando as noites. As manhãs são reservadas e com um pouco de sol.
Ficaremos acordados a noite toda, vamos encarar o sono de olhos abertos, teremos que senti-los. Vamos, ao menos, tentar colocar o nosso corpo em posição de ataque, para que a fantasia conheça o próprio sentimento. Ao darmos o primeiro bocejo será o primeiro sinal: precisamos de um copo de água.
Calaremos a nossa madrugada bem no cantar dos pássaros. Sentir na pele o valor de uma noite, o valor da lua. Sentir toda escuridão da solidão e não fechar os olhos esta noite. Vamos brindar o labirinto da insanidade, bater de frente com o olhar puro de uma criança adulta. Escutar com os olhos arredados o som gritante das três primeiras horas do dia.
Vamos encontrar uma maneira errante para esta noite dar certo. Planejar os movimentos e adormecer quando tudo estiver com um raio de sol. Precisamos do silencio para curar toda essa falta de você. É necessário o silencio para não pensar no próprio sono. Precisamos de água limpa.
Quando o segundo bocejo chegar a boca, vamos levantar e caminhar pela sala, ficar atento aos passos. Jurar a si mesmo que existimos e precisamos de água. Vamos programar e passar a noite em claro, adormecer com o cantar dos pássaros e quando a noite estiver se posto, regressaremos.
Hoje a janela se abre de vagar, sem o menor condicionamento físico. Sinta toda a fantasia dos sonhos. Seremos os guias com o terceiro bocejo. O sono só ataca sem água.
O pulsar é o álibi. Brindar a noite como fosse à sétima. Sentiremos o planeta abaixo de nós. Decifrar os quadros 3D e não perder a cor. Tocar nos maiores sonhos, subir a escada da eternidade, degrau a degrau, para esbarrar no muro imundo dos céus.
Subir no cume das energias e arrastar o diamante da mentira envolta naquilo que não se pretende explicar. Isso vai ser nessa noite inanimada. Estaremos com a alma em pé, acordados com filosofias póstumas, brindando com uma taça cheia de nada. Ao nosso lado, apenas ao nosso lado.
É como escutar a mais alta das músicas num dia de chuva. É como sentir o corpo arrepiar quando sentimos o vento bater rente ao rosto; é como ser um escravo da fraqueza, que não é nada menos do que a ausência da coragem.
Hoje é como escrever um monte de coisas e, ao ler, ver uma página em branco. Hoje, só hoje... Depois tudo passa...
domingo, 9 de novembro de 2008
O triste espetáculo de uma vida
Apenas um texto. Sem explicações, sem sentimento (contraditório)... Apenas um texto manipulado, pois a realidade traria a tona a política suja e nojenta que não preserva vidas. Apenas um texto que não retrata que, no dia em que senti a morte na pele, o médico, que deveria estar em plantão no local de trabalho (para salvar vidas) foi dormir em casa, já que 24 horas antes, estava tomando cerveja num bar de Campinas do Sul. Atualmente, o médico que deveria fazer valer o juramento de faculdade de medicina, continua vivo e enganando pacientes. Já, o meu pai, está morto.
Palavras pré-meditadas. Nem perto da ousadia da morte
Pensava que era o super-homem, mas me enganei e fraquejei. Parece que nunca vai acontecer, mas quando menos se espera o escuro estampa a nossa face. Coloca-nos numa situação de impotência. Mostra-nos o quanto somos fracos, o quanto somos nada. Tu usas todas as forças. Grita. Tenta reagir. Quebra uma porta com brutalidade e não acredita o que vê. Você vê a imagem refletir num espelho... A imagem retorcida do desespero. E dizem que somos fortes... Engano
O desespero de um grito calmo foi tão alto, que a única pessoa que necessitava escutar, encontrava-se embalada pelo som dos anjos. Meu pai dizia, quando vivo - “Se eu avançar, avance comigo, se eu desistir e voltar, atire em mim, pois estarei indo contra todos os meus princípios”. Caído no chão, com o corpo a mercê da morte, seu olho escutou uma pequena frase. “Não me abandona agora pai”. O olho, já sem aquele brilho verde misturado com amarelo, abriu por um segundo e falou firme, porém suave – “Segue. Vai em frente... agora está com você”...
Entendi que a mensagem passada naquele instante, enquanto o coração do meu pai sangrava pelo infarto fulminante do miocárdio, e o meu sangrava de desespero, junto à impotência e insegurança, é que o triste espetáculo da vida tinha um início, 31 de julho de 2007.
Fiz de tudo, não o possível. Não desisti um segundo, segurei firme e minhas lágrimas não caíram naquele momento. Eu tentei, e isso, não foi o suficiente. O mundo se calou em um instante. Calou-se no eterno.
Não sou o super-homem, nem o Spider-Man, nem o Capitão América (herói de infância, ganhei a roupa do meu pai) nem nada. Quando fiquei sabendo que não era isso tudo, a frustração foi tão grande que ainda me pergunto o motivo pelo qual me leva a encarar o tranco.
E nada restou... A superioridade ficou por conta da impotência, da revolta. Falta a gargalhada, sobra tristeza. Inconformismo. As lagrimas caem incansavelmente. Parece um mar de desilusão, um pouco maior... Bem maior. Incontável. E o GUERREIRO REPOUSOU.
Enquanto a água do chuveiro escorria pelo ralo, passando pelo corpo do guerreiro, ela levava junto um pedaço da minha vida. Um pedaço que, sem querer, se misturava com a minha falta de força.
Dizem que vão os bons, os Guerreiros bons por primeiro. Após a luta incansável, o Guerreiro repousa. Saem no melhor da festa sem ter dançado a ultima música (ele gostava do Bial). Dizia ele, o Guerreiro, isso é uma passagem. “Eu vou viver 100 anos”, afirmava meu pai, que foi traído por uma força maior, a morte.
O Guerreiro sonhador, brincalhão, até no leito de morte sorria. Não existem palavras de consolação e nada ameniza e nada adianta. Então somos limitadíssimos, então somos coisa nenhuma.
Deitamos rindo e “acordamos”, de fato, mortos. Não acordamos. Puxamos o ar e, talvez, não consigamos soltar. É possível até de tentar falar uma frase inteira e esquece de avisar onde é o ponto final. Depois de um tempo, o ponto se coloca sozinho e indica o fim da linha. Ponto.
Falam que é preciso estar preparado para a única certeza da vida, a morte. Se o cara lá de cima criou à vida e, consequentemente a morte, poderia ter esquecido de criar o sofrimento, a dor, a perda, o nada. Poderia ter sido mais humano e menos espírito... Por que sempre os bons ao lado dele? Por que sempre os melhores? Os que fazem mais falta aqui nesse mundinho? Por que ele não avisa que vai nos passar uma tranca quando estamos com o corpo mole? Por que a gente não nasce com um botão de on e off? E sem respostas, O Guerreiro repousa.
Largam o escudo, baixam a guarda e limpam a espada. Deixam apenas a armadura por aqui e somem, desaparecem. Olham-te por uma última vez, talvez duas, e... Deixam-nos arrepiados. Vão caminhando em direção a não sei aonde e nem se quer dizem adeus, apenas uma mensagem nas entrelinhas de um último olhar.
Dizem que aquele lugar, que não conhecemos, é lindo e tem violetas na janela. Dizem que o sol irradia as manhãs de uma forma jamais vista. Dizem que as pessoas são legais e que todos são Guerreiros de luz. Dizem que as ondas do mar, no por do sol, beijam os pés de quem caminha descalço pela orla dos céus com os lábios da virgem Maria. E os que ficam? Que explicação nos dão? Nenhuma. Deixam-nos lembranças, lágrimas e desconforto apesar do conforto lutado na batalha de uma vida de meio século.
Joga-se a morte contra o muro da eternidade e ela volta com tanta força do lado esquerdo do peito, que nem a estrutura, que é feita do melhor material resiste a essa energia do outro mundo. Em segundos infinitos, a morte toma conta de tudo o que é mais sagrado. Tira-nos do colo a segurança e ficamos desolados. E o GUERREIRO REPOUSA no manto eterno. Calmo, afetuoso. Consolado por uma legião de guardiões.
Damos um giro de um milhão de graus. Dorme-se sorrindo e se acorda chorando. E não somos o super-homem. Nem somos uma pedra rochosa. A mensagem que fica é a de um dicionário de palavras sem significado. As teorias em relação à vida e morte se desfazem. O imaginário entra em ação. O medo, a insegurança, o perdão, a impotência, o clamor, a raiva e tudo o que existe se torna inevitável e ridícula quando sentimos a falta de vida em nossos braços. Não sou um Guerreiro como meu pai. Estou longe, muito longe disso...
E o Guerreiro de luz segue a sua saga de vitórias em uma outra batalha, enquanto eu, um aprendiz a partir do ano que continua vivo e impertinente em minha memória, tento colocar em prática o que o Guerreiro do Repouso eterno me ensinou em seu bravo duelo por aqui.
Nasce-se novamente, só que não tem ninguém para ensinar o que é certo ou errado, nem para dizer qual caminho seguir, entretanto, aprende-se pelo instinto, pelo alvitre. Dança-se uma nova música sem saber o ritmo. Eu não consegui ser o super-homem. E a nuvem negra tapa o nosso rosto com gotas de morte. Premonição existe.
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Tudo tem um final. Ele está depois do ponto.
Eu juro que tentei um pouco de tudo pai, mas não deu. Eu to tentando ser forte e sóbrio, mas não é fácil. Eu juro que usei todas as forças para não te decepcionar, só faltou um médico aquele dia. Aquele dia ainda não terminou. Aquele dia fica acordado e não dorme nunca. Isso dói. Agora falta o carinho, a risada, os conselhos, agora falta tudo, agora falta você. Eu vejo o meu corpo tremer cada vez q chego em casa e olho o vazio que se estende pelos tantos cantos da casa. Ms t juro que tentei fazer d tudo. E tu vai assim, sem mais nem menos. Eu te segurei firme, te envolvi nos meus braços, e tu conseguiu escapulir. Eu to firme ainda Pai, to engolindo meu choro, retendo minhas lágrimas, enxugando o rosto de todos. Eu to firme Pai. Está tudo bem, pai, eu só estou sangrando. Gracias.
quarta-feira, 26 de março de 2008
O ingênuo perspicaz, o poeta Pedro.
Algumas pessoas parecem ter um espírito ousado sempre. Apresentam-se de forma, no mínio, interessante. Se olharmos ao nosso redor poderemos observar a presença de diferentes tribos. Tem gente de todo o estilo. Reggae, alternativo, punk, literário, conservador, naturalista, minimalista, enfim... Tem gente que só de olhar da pra arregalar os olhos e fazer com que eles saltem da cabeça, fazendo explodir o nosso imaginário.
Então salve, salve por que nesta reportagem vamos contar a história de uma dessas pessoas. Ele trocou o endereço fixo por uma vida de andarilho, dando passos pelo mundo a fora, não tendo paradeiro nunca. O cara aprecia as letras, forma frases para encher a barriga, enaltecer a alma e engrandecer o ego.
Nascido em Porto Alegre, residente em um Passat ano 80, Pedro Marodin tem 43 anos e a 19 é poeta. Um deslumbrado pela vida que largou a faculdade de Agronomia na UFRGS para levar uma vida totalmente sem, digamos que, rumo. Apaixonado pelo que faz, Pedro ganha a vida escrevendo poesias. É um militante nessa área. Se define com um guerreiro na arte de viver, pois o dinheiro que recheia seu bolso é apenas o da venda de seus livros.
Numa aula de matemática, ao invés de somar, diminuir, dividir estava fazendo um poema. Quando todos já se retiravam, colegas e professor, o rapaz ainda sentado na classe, sozinho, terminava os versos. Ao final deles lagrimas começaram a cair de seus olhos e o choro compulsivo tomou conta de seu corpo. Nesse momento Deus dava o diploma de poeta a Pedro, nascendo o destino do ex-agronomo para o mundo da fantasia.
Devido ao tempo em que tem em meio aos seus dedos um lápis ou caneta para colocar no papel, versos, Marodin já não lembra mais qual foi o primeiro poema que escreveu, porém, em entrevista comenta que, quando jovem fazia parte de um grupo de adolescentes da Paróquia São Sebastião e tentava catequizar uns amigos maconheiros que freqüentavam as salas de aula daquele lugar. Quando emprestou uma Bíblia a esses meninos, em troca, um livro do Mário Quintana “ Esconderijos do tempo” se pôs em suas mãos, levando ao seu intelecto o primeiro livro de poesias lido por ele.
De cabelos longos e sotaque cantado, o nômade gaúcho não se restringe apenas ao Rio Grande do Sul. Se viajar é bom, imagina marcar as estradas do nosso país com versos e prosas. Canções e estrofes. Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás já conhecem um pouco desse “magrão” que usa nariz de palhaço e aos finais da tarde declama poesia para as crianças.
Quando a gente menos espera...
Quando conheci o Pedro ainda estudava na cidade de Erechim, no Instituto Anglicano Barão do Rio Branco. Estava no primeiro ano do ensino médio. Na sala fechada, de 45 alunos, o vento gelado entrava por debaixo da porta quando, na aula de química, entra um senhor engraçado pela porta junto com o ar congelante do inverno tocando saxofone e em seguida declamando poesias. Eu sentava na última classe, bem no fundão. Com dez minutos de apresentação os nossos ouvidos ficaram quentes e nossas mãos duras, amoleciam com emoção daquele formador de versos.
Alguns anos se passaram e logo ali, quando a gente menos espera, se da de cara com alguém caminhando nos corredores da Jornada Nacional de Literatura, em Passo Fundo. Desta vez eu estava na posição de estagiário voluntário do documentário do evento. Eis que encontro um homem de pochete na cintura, calça jeans e casaco. Ainda de cabelos alongados e livros nas mãos. Aproximei-me e perguntei se ele não era escritor ou poeta. Se já tinhas ido para Erechim e tal. O papo, num segundo surgiu, após eu comentar que o tinha conhecido na escola. Bradou Pedro, nos corredores de frio intenso da jornada. Era inverno também “Bá, tu tava lá? Eu toquei sax na tua aula, lembra!?”. Realmente o mundo é gigante, mas nos passa uma impressão de pequenino às vezes.
As estórias de uma vida, singular, prosseguem. Poesias e pneus...
Se não bastasse se apaixonar por uma francesa no Fórum Social Mundial de Porto Alegre e como conseqüência vender o carro, uma Quantun 86, de nome Manoel, para ir até a França em busca desse amor, Pedro tem uma relação de afetividade com seus carros, que coloca inveja em qualquer pai coruja no paredão do big brother. “Eu tenho uma relação de parceria total, como eu não tenho ninguém pra conversar, na estrada, eu converso com eles. Falo dos amores, meus problemas, dívidas com a gráfica. Divido as alegrias, as tristezas...”. Nos conta o viajante.
Atualmente o poeta das estradas está com um Passat de ano 80 que se chama Chocolate. Neste veículo, que acredito ser abastecido não apenas por gasolina, e sim, por muito alto astral, existe ainda o banco do motorista, já que o do caroneiro e o traseiro foi tirado para dar lugar a uma porta serrada na medida, por Marodin, que serve como uma cama, um colchonete e cobertores fazem o papel de colchão. É, viver de encanto pode dar dor nas costas.
O homem nômade também tem suas ambições. Por de trás do perfil alternativo, improvisador, elegante, existe uma pessoa que busca melhorar a sua casa ambulante. Não vai pensar que ele vai compra um iate e começar a vender seus livros pelos sete mares, se bem que desse poeta... Enfim, segundo ele, um Motor-home seria o ideal para furar as transversais dos estados e insistir na venda de suas idéias num país que não tem como costume a leitura. Dentro de suas possibilidades financeiras, uma Kombi está de bom tamanho e as coisas teriam o seu devido lugar já que - “No Chocolate, na primeira curva, a cozinha se atira, se mistura com o guarda roupa, os livros se jogam no meio dos meus pés, o violão se joga no vidro, imagina o transtorno de ter uma tripulação louca e, pior, suicida, tão doida quanto eu”. Brinca o escritor.
Talvez depois dessa reportagem a gente consiga, com muito esforço, mudar o conceito da cidade projetada, Brasília. Certo dia o poeta resolve ir para a capital do Brasil. Lá chegando suas idéias giravam em torno do preconceito em relação à corrupção, politicagem, mas o surpreendente tomou conta do raciocínio do malabarista de palavras devido à forma como o povo o recebeu por aquelas bandas. Segundo Pedro, uma vez o proprietário de um restaurante, seu Jorge, pegou ele pelo braço e sem conhecer seus dotes, fez os músicos pararem de tocar e o apresentou ao microfone local. Durante dez minutos, os poemas tomaram os ouvidos das pessoas do recinto que interromperam a janta para apreciar o espetáculo de versos. “Depois, ele me obrigou a sentar numa mesa e mandou eu me servir à vontade lá no fogão à lenha, nóóóssa, nunca comi um Tutu Mineiro tão gostoso”. Explica. Após o acontecido, para Pedro Brasília está incluída em seu coração como uma das cidades de maior valor sentimental.
“Capital da Literatura não é ter um livro ou um grande evento embaixo do braço”.
De fato, às proporções que tomaram a Jornada Nacional de Literatura são gigantescas. Pedro é um cara rotativo, que não está sempre na mídia e seu rosto não estampa nenhuma tela ou capa de jornal, porém o seu espírito é revestido por uma experiência admirável, em suas retas, curvas perfeitas que colocam a sua opinião concreta sobre determinados pontos de vista. Um poeta que não se restringe apenas ao extremo sul e por isso pode, através da escola da vida, ilustrar as bordas de qualquer programação literária.
Em entrevista pedi para Pedro o que ele achava de Passo Fundo em relação ao slogan “Capital Nacional de Literatura”. Pelo e-mail, o sonhador fantástico ressalta que o sofrido trabalho que a professora e coordenadora do evento faz, Tânia Ressing, é maravilhoso. Porém discorda que Passo Fundo seja a Capital Nacional da Literatura. “Capital da Literatura não é ter um livro ou um grande evento embaixo do braço, é ver o resultado humano que traz, na vida das pessoas e no seu cotidiano, anos e anos de leituras e amor à cultura e à arte”. Esclarece.
A cidade brasileira que Marodin mais vende livros é Pelotas, e para ele esta deveria ter o título que Passo Fundo carrega. “Em Pelotas os pais incentivam os filhos desde pequenos a ler, quando adultos, continuam com a rotina do livro, sendo assim, não precisam de jornadas ou estímulo que venha do poder público”. Comenta o poeta. Ele volta o olhar não apenas para Pelotas no sentido leitura, mas também para os costumes desse povo, como: a educação na cidade; o respeito dos homens com as mulheres; com a arquitetura antiga. “Vai a Pelotas, tchê, vê a coisa lá e depois compara com Passo Fundo”. Indaga o Porto Alegrensse.
“Passo Fundo tá mudando, pra melhor, mas questão de história ou de cultura, Passo Fundo ainda tem um grande passo a dar pra chegar na excelência dos pelotenses”...“Coisa boa tu ver uma cidade se tocando e almejando um bem maior que não apenas a cultura do arroz ou da soja, mas a cultura do afeto”. Finaliza com maestria o apaixonado por carros.
O ingênuo perspicaz... O poeta Pedro
Ele vive da natureza, fotografando flores, olhando para o céu. Toca o profundo de todos com poesia. Atravessa quase que todo o país do samba cantarolando, formando, encantado a todos com um jeito despojado. O senhor do gigante plural. Das cores, sotaques. Pedro, o poeta que sola o asfalto com seu caminhar e interfere no tempo com suas linhas de experiência jovial.
Um amante, que teve atitude ousada quando ainda era piá, 21. Um brasileiro de Porto Alegre que mora dentro de um carro, junto com seu violão, livros e idéias. Um solteirão casado com o horizonte. O torcedor gremista que adora quando o inter ganha, pois sua mãe de 83 anos fica com um sorriso que vai de orelha a orelha. O escritor poeta que se espelha em Quintana, Leminski e Baudelaire por terem uma linguagem fácil e simples, assim como é o bailarino Marodin.
Ele afirma que a internet não vai superar o livro jamais, então aprecie o site www.pedromarodin.com.br. O camarada brincalhão. Um poeta de olhos esperançosos. Um ser humano realizado.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Anacronismo de um povo sem memória
“Quero deixar as lagrimas de meus olhos escorrerem pelo meu rosto. Quando elas tocarem os meus lábios, a minha língua irá sentir o gosto amargo dos cordéis desta dança”.
Decupar a nossa história. Não mudar. Esquecer os arredores. Acordar depois que o dia amanheça e se deitar antes que o sol se ofusque. Prisão. Calçar o inexistente e tropeçar nas calçadas esquizofrênicas da avenida ou paralelas. Andar. Parar em cada ponto cultural, desaconselhar o antigamente e não querer o globalizado. Ter um perfil quadrúpede, bisonho. Correr com destino à eternidade, mas deixar o vento marcar nosso semblante campinense com linhas profundas de cor preto e branco.
A quadragésima oitava vela incendeia e, com a cera, derrete também a esperança. Os que glorificam hoje choram amanhã. Precisa-se de mais ceticismo e lógica. Discursos prontos e entusiasmo zero vão estar no altar da pátria nessa data sem prestígio. Então vamos deixar os adolescentes de lado mais uma vez e puxar quarenta e oito vezes a orelha dos motoristas desse complexo demográfico, formado no início do século XX. Mas dirigir embriagado, perante a lei, é crime.
"Eu continuo a ser uma coisa só: um palhaço, o que me coloca em nível mais alto do que o de qualquer político”. Encenava Charles Chaplin. Eu quero ser um palhaço, fazer malabarismo, pintar meu nariz de vermelho, rir da boca pra fora e sentir meu coração campinense sangrar por ver novamente gente nova ser trocada, inalada e tachada de paralítica. Em Campinas do Sul santo de casa não faz milagre, só quando cospe no prato. Frágil fica o ego de cada profissional em formação, quando literalmente é deixada de lado, para dar lugar à desprezível politicagem. Isso dá arrepio, dá nojo, provoca cócegas. Nem parece que fazemos aniversário. 48 anos, viva!
Ergam-se as lonas da esculhambação, que os rios já tomaram conta da cidade. O lodo emergiu e trouxe consigo toda a imundície subterrânea do riacho que atravessa a comuna. Depositam ali, nesse risco de água, graxa, gasolina e fezes. Não dá para esquecer dá celebre frase dita há uns meses atrás por um “cortês” daqui: “Eu tenho Campinas na palma da minha mão”. Sinta o cheiro da tirania no ar, e tente respirar para não dar desgosto a alma. Estamos de aniversário. Essa tonelada de prepotência, exercida por alguns membros do poder público, parece arder na pele do povo. Vota campinense, que em quase meio século te jogaram longe, te mandaram embora, não valorizaram o teu suor, não te deram valor algum, mas te pisaram no pescoço. Cante com os teus filhos, parabéns a você, menininha quarentona.
Os teus olhos se fecham e não acreditam na prostituição. Veja as madrugadas, Campinas. As tuas filhas sendo profissionais do sexo por não terem opção de emprego. Não chore quarentona, isso é a realidade sendo jogada em sua retina. Nestes anos de vida, teus patrões abandonaram teus pais, filhos e filhas. Agora cidadezinha, agüenta, fostes tu que escreveste teu destino de tal forma e sem conteúdo. Carregue nas tuas costas a dor do abandono sentida todas as manhãs pelos teus adolescentes que ainda te fazem sorrir com dentes podres.
E me expliquem, senhores dominantes, responsáveis por esse intenso abatimento progressivo: onde estão os empregos? E qual o motivo que leva tantas pessoas a não voltarem a aplaudir, e pisar em chão enviesado desse solo? 48 é superstição.
As arquibancadas não estão prontas, a grama não está verde, a pista de atletismo é apenas poeira, o arco de traves já está enferrujado e a bola... A bola não existe! É assim que se encontra o estádio, com as obras estreantes na década de 90. E mais uma vez a pergunta: por que desistir do investimento na metade? Hoje, aquele espaço inutilizado pelo Estado é de serventia para usuários de drogas; para as profissionais do sexo ganharem seu sustento; para a geração saúde, em algumas tardes, caminhar em círculos na pista atlética. A poeira que se levanta faz o olho lacrimejar. Palmas incessantes para o nosso campinho de várzea. Agora vamos levantar em pé e com orgulho dar uma salva de palmas bem forte para o magnífico que teve a brilhante idéia de não dar continuidade ao projeto do estádio municipal.
Estamos celebrando o que realmente? Um ano a mais de experiência? Se tivermos como experiência essa procissão de sombras durante todo esse tempo, imagina o que nos espera daqui uns anos. Ressuscitem os mortos, que os marinheiros estão abandonando o navio. Campinas é tarada em mandar seus queridos para um lugar longínquo.
Criam-se ídolos boçais, conseqüentemente, a retribuição vem em forma de humilhação comunitária. Campinas conjuga o verbo fazer, de forma egocêntrica: em vez de conjugar na primeira pessoa do plural, NÓS fizemos, conjuga na primeira do singular, EU fiz. Um aniversário de quase cinqüenta velas, com quase sem jovens, sem empregos, com quase sem nada. Sem ritmo, sem poesia e sem cultura. E a burguesia sórdida sedenta de lucros. Lindinha Campinas fizeram do teu aniversário uma farsa. Você dançou 48 vezes, menininha quarentona.
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Sem titulo por não ter nada.
Baseado numa estória irreal. E-mail enviado a minha mãe em meu quarto nível de faculdade. A situação não era tão precária assim, mas precisava surpreendê-la para ganhar uns trocados a mais. Ao ler o e-mail ela me ligou rindo, pediu se eu não tinha vergonha na cara. Disse que não me ensinou a mentir, eu respondi: mãe estou estudando para ser jornalista.
Escrevo este pelo fato de não ter telefone disponível e barato, e também por fazer um tempo que não te mando um e-mail. Minha mãe, adorável a tua persistência em estudar teus filhos, mas te digo em verdade que não da mais.
Ser estudante - há teu ver seria, de fato, sofrimento, aos meus olhos está sofrido de mais. Não é por que Jesus morreu na cruz que terei que ser crucificado, Jesus já nasceu pecador. A ambigüidade da frase mantém o vício da religião católica mais sujo ainda.
Mãe, já não da mais pra ficar estudando sem saber o futuro que teremos como jornalistas. Do jeito como vão as coisas, serei mais um cidadão escoado pelo mercado de trabalho.
Mãe, já perdi a noção do saber e a distinção entre necessidade e futilidade. Não tenho nem uma cama para repousar. O guarda-roupa de 1970, já não agüenta mais de tanto guardar o tempo. Não escrevo apenas por uma cama no sentido dormir, e sim no sentido coluna do corpo humano, futuramente me causará muita dor na região lombar.
Mãe, faço faculdade de jornalismo e preciso me alimentar de informações dos diversos tipos de mídias, no entanto, tenho apenas um aparelho de TV, sem antena, e que mal pega a manipuladora rede Globo de televisão. Como poderei formar opinião tendo apenas uma emissora que quase não da para assistir?
Não sei mais se comer, na definição alimento, é necessário para o corpo. Há anos que apenas tomo café com pão. Atualmente, o pão é inexistente na mesa, mesa? Bom, a mesa é as minhas pernas. Mesa, pão, café, massa, feijão, arroz, saúde... Para estudante parece ser futilidade.
Pra que usar as pernas? Meus pés calçam um sapato furado, número 38, em fase de decomposição. Eu calço 39. Futuramente gastarei quase todo o meu dinheiro num ortopedista por causo da coluna e da má saúde de meus pés. Estudar significa sofrer tanto assim?
Mãe, higiene é fato consumado, seja no regime capitalista como no socialista. Trocar as cuecas uma vez por dia é manter um corpo saudável. Veja bem: a semana tem sete dias, porém, tenho apenas duas cuecas. Meu corpo fede.
Ter uma boa aparência não é apenas vaidade, mas não tenho moedas suficientes para compra um aparelho de barbear. Não tenho 3,76 reais para comprar um Shampoo, muito menos um condicionador. Tomar banho, lavar o cabelo, escovar os dentes é futilidade, questão de higiene ou...?
Manter a saúde dos pés também é interessante. Mãe, o que a senhora me diz a respeito das meias? Tenho apenas um par, o chulé é comida para meu estômago.
Duas calças jeans. Duas camisetas. E eu ainda ajudo os mendigos que batem á minha janela. Eu vou para o céu? Ou ficarei vagando por ai com o canudo de jornalista na mão, sendo crucificado pelo povo, não pelo teor das palavras, mas pela aparência pisiquico-físico?
Mãe, nesse momento você deve estar rindo da minha situação. Lembrando que no teu tempo de estudante, tomava você, chá com pão seco para manter a sanidade intacta. Desculpa, mas eu não vejo graça.
Não vou escrever das outras coisas, como por exemplo, o meu fogão a gás de quatro bocas, que funciona apenas uma; ou da minha geladeira ano 1968, que tem preguiça de fazer gelo; ou do aparelho de rádio que não sintoniza freqüência alguma, muito menos toca cd. O sofá eu não vou comentar, pois já deves imaginar como a espuma se apresenta.
Mãe, não da mais. Tenho fé e muita luta só que a realidade me faz desistir de continuar lutando pra se alguém na vida. E eu ainda tenho que escutar: deputados pedem reajuste no salário. Haja paciência, meu dentista não recebe desde outubro.
Devido a esses fatos, descritos com um olhar sem se apegar aos detalhes, estou desistindo do meu curso a partir do ano que vem.
Meus 63 kg me jogam a verdade em frente ao espelho. Os bolsos furados das minhas duas calças me indicam o futuro, e meu sapato furado me surpreende com a verdade do chão que piso. Pô, eu só tenho que ser um comunista. A desigualdade perante o mundo é vital. O sentimento de inferioridade coça a minha pele nua e crua. As chagas que cristo herdou ao ser crucificado, hoje estão em meu estomago em forma de gastrite.
Desisto o semestre que vem pra quem sabe no amanhã, ter dois pares de sapatos, três calças jeans, dois pares de meia, sete cuecas e umas camisetas a mais. Talvez algum troco no bolso furado pra conseguir tomar uma coca média e um pastel de carne numa padaria de rodoviária.
Beijos mãe.
Do teu filho indignado, pobre, realista, sem cama, sem fogão, sem cueca, sem meia, sem sapato, sem estágio, sem dinheiro, porém... Porém nada pô!
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Dedicatória
A dedicatória abaixo foi feita no trabalho de conclusão do curso de jornalismo, monografia. De acordo com a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), todo trabalho científico necessita de agradecimento, dedicatória, desenvolvimento etc., etc., etc. Na UPF não seria diferente, folhas e mais folhas. Pode não haver um sentindo contínuo, mas para esta universidade, análise boa, é analise que tenha mais de 85 folhas, a minha deu 56. Duas de dedicatória, duas de agradecimento, três de resumo. Mais duas capas... E uma nota ótima. Para que fez uma monografia em seis noites, chego a teoria de que, quanto menos preocupação, melhor fica o trabalho.
Algumas pessoas citadas, não vou definir o motivo pelo qual estão sendo descritas para manter a imagem do autor. Vamos nós:
Dedico este trabalho único e exclusivamente a mim. Porém, seria agir de má fé não citar algumas pessoas, que sem elas, não seria possível o desenvolvimento desse estudo.
A minha mãe e pai, por terem me colocado no mundo e conseqüentemente, hoje, poderem dizer que são pais de tão maravilhoso ser que sou, e claro, por darem todo o apoio e estrutura que uma pessoa necessita. Mas tenho certeza que me ofereceram muito mais além do que descrevo aqui, faltariam palavras.
A Deus, por não me esquecer nos momentos em que mais precisava de um apoio emocional.
A banda The Beatles por fazerem tão belas melodias, cujas me acompanharam no desenvolver dessa analise.
A banda Mamonas Assassinas, sem comentários.
Ao mundo capitalista, por conseguir implantar dentro da sociedade mundial, concepções lindas e maravilhosas como, por exemplo: ninguém precisa ser igual a ninguém.
Ao meu mentor espiritual que, nos momentos de repouso, aparecia através dos sonhos para direcionar este trabalho.
Aos filósofos por nos mostrarem que o pensamento se faz necessário em certos momentos de nossas vidas.
Ao pensador Friedrich Wilhelm Nietzsche, por simplesmente dar aos seres humanos uma visão realista sobre diversos pontos de vista.
Ao meu estado, por ser o maior de todos
Ao meu país, por ter a felicidade de ter um clima tropical.
Ao Spider-man e ao Capitão América, meus heróis de infância.
Ao Chaves e Chapolin, pela astúcia implacável.
Ao meu orientador, Otávio, pela paciência, entusiasmo, pelos puxões de orelha nos momentos necessários.
Aos meus avôs, por serem providos de tão alta personalidade, que de seus corpos restam suas idéias.
A todos os bares que me acolheram nos momentos em que a irritabilidade tomava conta dos pensamentos e assim, agiram como um harém, nos dando a certeza que a vida não é apenas trabalho e preocupações.
Não posso esquecer do meu cachorro, ele adoraria brincar com estas folhas. Ele não parou de latir um minuto enquanto eu digitava estas páginas e o deixava de lado.
E por ultimo, dedico esta monografia a sala e a caixa de papelão em que esta monografia ficará guardada por anos e mais anos até suas folhas ficarem amareladas e delicadas.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Ela vestia branco e caminhava com uma balança...
Meia noite e um, iniciava mais um ano, 2007 chegava. Família feliz, desejos e saudações se repetiam de abraço em abraço. “Filho te desejo um 2007 cheio de amor, saúde, felicidade e muita grana” indagava meu pai, não só a mim, mas a todos familiares presentes na sala de comemoração. E lá sei ia mais uma garrafa de champanhe. “Só mais uma taça!” pedia o senhor do tempo.
Enquanto todos bebiam o suco da sorte, avistei, através da janela da sala que dava para rua, uma amiga, corri para a porta da casa e fui cumprimentá-la. O afeto alegre se esbaldava pela calçada e, entre um pergunta e resposta, a boca dela a expressão “Estou fechada para balanço”. Logo me despedi desejando um feliz ano novo e voltei ao meu posto junto aos meus afins.
Três horas da madrugada e a confissão fechada para balanço, insinuava os meus pensamentos mais sediciosos. As primeiras badaladas do ano me deixavam inquieto com o peso da balança. Com uma taça cheia de nada em mãos, lá estava à solidão do meu instinto para decifrar a demência da criatura.
A mulher vestia branco, uma sandália prata, pele bronzeada e uma leve maquiagem. Seus olhos refletiam a alegria do princípio e sua boca expeliu a frase que coloca a tona o sentimento de falta de liberdade da pessoa. Toda pressão que os erros do passado exercem sobre a consciência, a senhora moderna deixou nas entrelinhas a embriaguez do espírito.
Perguntas começam a se formar entre um cálice e outro: por que uma pessoa se fecha para balanço? Será que ela já viveu o necessário para colocar na balança todos os anos de sua vida? Ela errou tanto assim no ano passado? Será que a cada nova etapa a balança é usada? Por que alguém faria um balanço? Pra ver se deu lucro?
As perguntas surgiam. As conclusões beiravam o inconsciente. Essa mulher, certamente estaria colocando em sua balança os prováveis não que obteve em 2006, por exemplo: o show que não foi; a roupa que não comprou, por que não tinha dinheiro; à noite que não riu por não ter gostado da piada; os amigos que não olhou; a decisão que não tomou e que mudaria sua vida; o sim que deixou de dar, e dois minutos depois se arrependeu; o pum que deu quando não devia; a caloria que comeu a mais... E outros tantos “não” que cometeu.
Colocar na balança trezentos e sessenta e cinco dias, quando na verdade deveria continuar vivendo. Lógico, ela também vai inserir todos os “sim”, porém, o que mais vai marcar será o não - é do ser humano ter uma quedinha pelo sofrimento, se lembrar dos momentos falhos da vida.
&

Fazer um balanço de um pequeno espaço de tempo não se tira proveito algum. É preciso viver o agora, viver o segundo presente, o minuto passado já é se foi há sessenta segundos e não volta mais. Sentar num balanço até vá lá, o vento é bom, mas fazer balanço logo no iníco do ano equivale a um trote no meio da madrugada.
Para que serve um balanço? Pra não cometer os mesmos erros? Quais erros? O erro de se apaixonar pela pessoa errada? Não escolhemos por quem nos apaixonarmos. Ou não errar novamente ao comprar ou não tal roupa? Tudo depende do bolso. Na verdade nessa vida não se faz balaço, todo varia com o ápice.
A loirinha moderna vai pensar, balancear e cometer os mesmos equívocos de antes: comprar o que não tinha; tomar quando não podia; rir onde não devia, chorar por ter quebrado a unha e vai fazer o maior barraco; também vai beijar um cara quando não deveria ter beijado numa festa ridícula que não gostaria ter ido, mas foi.
Fechado para balaço é uma filosofia fútil. O brasileiro vive em média 72 anos. Pra quem deseja fazer um pouco de tudo, essa sucessão de anos passa num piscar de olhos. Levando em conta que se dorme oito horas por dia e que começamos a estudar por volta dos sete anos e paramos lá pelos 30, cada milésimo de segundo deve ser degustado como vinho. Passamos a puberdade com medo dos pelos. Na adolescência, além das espinhas entramos na crise existencial. Quando adulto, nos preocupamos com o trabalho e as contas a pagar, e aí, o que sobra?
Fechar para balanço seria um propósito sem causa, uma coisa esdrúxula. Do tipo rebelde mimado. Sinceramente, a moça loira de maquiagem leve, que vestia branco com sandálias prateadas, deixou naquela noite, sua sombra se molhar na chuva dos acontecimentos banais da vida.
Que a moça de olhos pintados, pintura facial modesta, brilhante, sorriso meigo e transparente use o instrumento determinante relativo ao peso dos corpos quando estiver dando o último suspiro, após ter usado todo intervalo de tempo possível da vida. Mas que não passe de alguns segundos, pois os mesmos lábios que na virada do ano equilibraram o passado, farão do presente um ato honroso se não usar, ou souber usar a balança.
sábado, 29 de dezembro de 2007
A cisma da apreciação pela negatividade
“Vai existir um dia em que todos unir-se-ão para o bem comum – esse dia não existe”. Até que o povo, bobos da corte, defender o partidarismo, nunca vamos ser uma cidade decente. Não sei como uma cidade pequena consegue fazer transbordar tanta birra sem fundamento.
Sim, eu gosto de falar, criticar. Mas também sei fazer um elogio quando merecido. E dói. Dói a minha intrínseca alma com as pessoas que agem de má fé. São esses seres desprezíveis que colocam a nossa cidade no calcanhar do mundo.
Quinta-feira, 20, noite de calor agradável, cinco dias para o tão esperado natal. Eu estava no palco do centro de eventos de Campinas do Sul, apresentando o primeiro dia da semana natalina. Aproximadamente 500 pessoas presentes, apreciando os números artísticos que tomavam conta do tablado depois das 22h. A promoção era do Núcleo Cultural com apoio da Prefeitura Municipal e Câmara de Vereadores.
Entre uma apresentação e outra, fazia comentários, lia frases natalinas, interagia com a platéia, enfim, descontraia o público até que o grupo chamado se colocasse na posição de ataque. Num desses comentários fiz um elogio a primeira dama, Rosangela Montepó e sua equipe de voluntários pela belíssima iniciativa de usar como enfeite natalino, reciclagem de lixo. Que sinceramente eu tiro o meu chapéu, me curvo diante de tão nobre atitude. Com todo o aviso que a mídia e instituições de ensino fazem sobre o aquecimento global e, toda a preocupação dos mais conscientes sobre esse fato, a reciclagem do lixo como decoração, tira de minhas mãos, aplausos.
O que mais me chocou foi quando terminou as apresentações, inclusive a minha. Fui comprar uma água e, fiquei conversando com algumas pessoas. Após um tempo de bate papo me despedi do grupo e me coloquei em direção a minha casa, a pé, passo a passo caminhava lentamente, sem pressa. Na esquina entre a Rua Tiradentes e a Avenida Mauricio Cardoso, um senhor grisalho, de costume conservador se aproximou e bradou: “Giu, parabéns pela apresentação, mas como que tu vai parabenizar a primeira dama? Logo tu que escreve contra eles”. Olhei para este senhor e respondi que não tenho nada contra ninguém, só acho que as coisas precisam ser levadas mais a sério, e que o descompromisso geral com as coisas me coloca numa situação de indignação. E novamente o morador questiona: “mas dar os parabéns a eles?”. Olhei para seus olhos e respondi que não estou do lado de ninguém, de nenhum partido político, e que assim como as críticas são necessárias, os elogios também, independente de qual ideologia a pessoa que faz boas ou más ações, pertence. Falamos mais um pouco e cada um seguiu seu rumo.
São pensamentos como esses que não deixam a nossa pequena cidade tomar proporções de maior expressividade. Como um povoado pode aviltar-se se o seu povo tem como princípio não acreditar no próprio potencial? O orgasmo de algumas pessoas de Campinas do Sul é assistir de camarote o erro alheio.
Brilham as luzes natalinas, cintilam os olhos de nossas crianças ao passarem por esses raios luminosos. O encanto do velho, que aborda com suas renas na cidade de aproximadamente seis mil habitantes, termina, quando de seu saco de presentes uma aura de desilusão, espírito de porco e má índole saltam de sua sacola avermelhada e vão direto ao estômago de alguns cidadãos que, sem mastigar, cospem esta malvadeza para fora, atingido a todos com o mau hálito. Está proibido gabar.
Um partidarismo nojento que não leva a nada. Seja de qualquer sigla, de qualquer crença partidária, a ementa de todos é linda, a prática - sórdida. Pior não é isso, a arte da política é necessária, ridículo são os integrantes das alas que contaminam o todo com pensamentos imundos. Vem dizer que não é uma bela iniciativa a reciclagem de lixo?
Essas pessoas que se revelam contra as coisas boas que acontecem por aqui, poderiam usar como modelo os enfeites desse ano, para reciclar as próprias idéias, atitudes, vocabulário, intelecto e etc. Podem, também, usar a reciclagem para rever seus conceitos e não virar, no sentindo personalidade, mais lixo do que já são.

Precisa de legenda?
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Quando as coisas dão certo dizemos "Graças a Deus". Quando elas dão errado dizemos "A culpa é do presidente."
O braseiro é grande mesmo. Eu puxo a brasa pra cá e você puxa pra lá, quanto mais brasa pra mim melhor... Coisas humanamente impossíveis de prever acabam tendo como pai Deus ou o presidente, como a última grande seca no Rio Grande do Sul e a queda do 3054 em São Paulo, neste meio tempo muita coisa boa aconteceu, Graças a Deus. A vinda da BSBios, do Cefet e da Italac pra Passo Fundo é a prova de que Deus está querendo o desenvolvimento do nosso município, em compensação o presidente não percebe o aumento da violência por aqui, nem o crescimento da cracolândia.
Percebo a preocupação das igrejas em construir uma sociedade mais justa quando cobra o dízimo que, afinal, é a maior prova de fé e amor ao próximo e também quando perdoa os meus pecados.
Dizem que a fome se combate com agricultura forte, mas eu li que a publicidade é a mola propulsora da economia do país e que o jornalismo constrói cidadania mesmo quando se tira conclusões precipitadas, como já aconteceu em muitos casos. Me refiro a tortura constante em que os jornalistas submetem os familiares das vítimas do avião da TAM derrubado cruelmente pelo presidente Lula no dia 17 de julho do presente ano. Mas Graças a Deus entre as mais de 180 vítimas nem Daltro nem eu estávamos naquele Air Bus.
*Wagner Pacheco é acadêmico do VIII nível de Publicidade e Propaganda - UPF;
Diretor Acadêmico do Diretorio Carlos Gomes da Faculdade de Artes e Comunicação;
Secretário de Comunicação da União da Juventude Socialista (UJS);
Militante do PC do B
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Nunca acreditei muito em Papai Noel
Por: Arnaldo Jabour
"Natal, Natal - bimbalham os sinos!". Sempre tive vontade de começar um artigo assim. O Rubem Braga dizia que há certas frases que demitem jornalistas. Essa é uma.
O Natal me deixa vagamente abobalhado. A própria figura do Papai Noel me dá angústia. Eu acho que isso se deve ao hábito que meu pai cultivava de forjar uma carta que Papai Noel me enviava junto com os presentes. Na carta apócrifa, Papai Noel me repreendia pelo mau comportamento: "Não bata em sua irmãzinha, obedeça sua babá, não faça má-criações para sua mãe!..." Os presentes vinham com um gosto de castigo que me dói até hoje quando ouço o "Ho ho ho!" do bom velhinho. Papai Noel gostava de todo mundo, menos de mim; surgiu em minha vida como um "superego".
Talvez por isso, fui o primeiro da minha "gang" de nenéns do Rocha a desmistificar a figura do barbudinho. "Papai Noel não existe...!"– foi minha declaração revolucionária. Eu bradava a meus amiguinhos, que olhavam desconfiados para meu "ateísmo" natalino. "Existe sim!" – protestavam – "ele me deu o velocípede que eu pedi..."
"Ah, é?" – eu replicava, subversivo – "fica acordado esse ano para ver se não é o teu pai mesmo que finge que é Papai Noel e põe os presentes lá na árvore!..."
Meus amiguinhos lutavam contra essa desilusão, mais ou menos como hoje os velhos comunas não desistem do socialismo e vivem acusando o Lula de ter ficado "neo-liberal
Um outro trauma aconteceu em um Natal remoto, quando ganhei uma bicicletinha bem legal, mas que veio sem o "quadro", sem a barra de ferro que definia se a bicicleta era para homem ou para mulher. O "quadro", fálico, denotava bicicleta de homem; sem "quadro", era para moças. Falei: "Essa é de mulher..." "Mas, a bicicleta é para você, meu filho...Comprei sem "quadro" para você não se machucar, se cair..." Minha mãe estava cuidando de minha castração, pois eu poderia machucar meus pobres ovinhos na barra de ferro...Fiquei apavorado de desfilar nas ruas com "bicicleta de mulher". Que diriam os vagabundos mirins que assolavam as ruas do Rocha, se me vissem rodando nas rodinhas femininas? Claro que berrariam: “Viado! Viado!", - supremo xingamento da época, terrível pecha que poderia destruir a reputação de qualquer um de nós. "Viado" (e não "veado", por favor) tinha uma sombra de ambigüidade, um desequilíbrio que me assustava. Viado não era nem homem, nem mulher; "viado" era o mistério. Daí que nunca saí na rua com aquela máquina que selaria minha identidade em crise. Papai Noel me dava culpa e a bicicleta ameaçava a minha sexualidade. Por isso, creio, o fervor subversivo contra a festa magna da cristandade que atingia, de tabela, meus problemas com o pai real.
"...
Nessa época, em pleno delírio nacionalista do Getulio no fim do Estado Novo, lançaram uma campanha para substituir a figura “imperialista” de Papai Noel por outro símbolo mais "coisas nossas". Inventaram uma figura tropical que nunca colou: o “Vovô Índio”, um velho semi-nu com uma peninha na cabeça, que traria presentes para os “curumins”. Foi um fracasso total, numa época em que o cinema americano alardeava o Bing Crosby cantando "White Christmas" sem parar. Tentei flagrar meu pai colocando os presentes no corredor longo e triste (por que o corredor era triste?), onde uma Santa Terezinha brilhava sozinha numa pequena peanha, mas nunca consegui. Recorri a meu avô, conselheiro e aliado, e ele me confirmou, de mãos dadas, me levando ao Jóquei Clube: "Isso é pra criancinha mesmo... Você já tem seis anos..."
A partir daí, eu não parei mais. Fui além. Entrei de sola na lenda da "cegonha" e do "bebê que o papai do céu mandou..." Meus amigos me olhavam em pânico, quando eu lhes tirava a inocência: "Vocês pensam o quê? A mãe de vocês ficam nuas e o pai de vocês bota uma coisa dentro da barriga dela pelo umbigo e, aí, vocês nascem..."
Essa tese me valeu várias brigas de rua. "Minha mãe não, cara! Minha mãe é direita..." E tome porrada no meio fio, rolando no chão. Depois, fui partindo para religião e duvidas metafísicas sobre Deus, já maior, atazanando os padres do colégio: "Se Deus é bom, por que ele cria um sujeito que ele sabe que irá para o inferno quando morrer?" Nenhum padre me respondeu essa pergunta até hoje, mesmo falando em "livre arbítrio" etc.
Mas, a verdade é que eu nunca fui feliz no Natal. Lembro-me que, nas ceias, ficavam visíveis as frágeis ligações familiares, pálidas amizades entre primos e tios, um certo tédio constrangido depois dos presentes abertos, dissensões e antipatias adivinhadas em abraços frios. Eu olhava aquela família "viajando através do tempo", como um cortejo trôpego para um futuro baldio, eu via a solidão do primo insignificante, do tio fracassado, da tia maluca e muito pintada, dos avós já tristes e ausentes, eu via que, a cada ano, as festas ficavam mais ralas, o eterno presunto caramelado e o peru com apito ficavam mais sozinhos na mesa, os presentes mais baratos e nossa fragilidade mais clara. O destino das famílias é evidente no Natal. Os pobres ficam mais tristes com a dor do pouco que podem dar aos filhinhos e os ricos mais obstinados em provar a si mesmos que serão felizes a qualquer preço. A obrigação da felicidade me enlouquecia. Parentes que eu nunca via me abraçavam com uma forçada ternura, molhada por vinho e uísques misturados, terminando tudo naquela tristíssima saída na madrugada, com crianças chorando ou dormindo no colo, presentes carregados para os carros, berros de "feliz natal" nas calçadas. Por isso, só me resta o lugar-comum do início: "Natal, Natal – bimbalham os sinos!"...
sábado, 22 de dezembro de 2007
Lembranças do Intercom
"Estórias como essas à gente vive apenas uma vez. E vive somente em época de estudante universitário".
O telefone do Diretório acadêmico não parava de tocar um instante. A caixa de e-mail parecia gritar em nossos ouvidos. A informação a ser passada era sempre a mesma, com as básicas palavras de sempre: “Oi, Fulano! Tudo bem? Temos dois alojamentos para oferecer, um localizado em tal endereço e o outro na rua... ok, aguardamos resposta, obrigado”.
Se os alojamentos deram dor de cabeça? Não. A não ser mau cheiro que faziam nossas narinas arder, quando tivemos que ir limpar os banheiros de um dos lugares que a galera posteriormente iria ficar. Mas os banheiros, graças ao limpa vidros usado no lugar de desinfetante, ficaram cheirosos.
Enquanto deste lado do Rio Grande nos organizávamos enlouquecidos para acomodar o pessoal que chegava a partir de quarta-feira a noite, os estudantes dos ônibus que saiam de São Leopoldo, Santa Maria, Porto Alegre e algumas cidades do estado de Santa Catarina (sim, os barrigas-verde vieram), pegavam a estrada apreensivos, pois não conheciam o lugar onde passariam as noites do Intercom. E por aí foi, correria e risos, muitos risos. Ah, quase ia esquecendo, nós compramos três chuveiros, novos por sinal, pois banho gelado no inverno é pra desconfigurar qualquer guarda que nos pare numa blits nos cafundó desse Passo Fundo.
Voltando a história dos alojados. Sim, então chegava a tropa. Tinha de tudo um pouco, os chatos, os legais, os interessantes, as simpáticas, os intelectuais e os sequelados. Mas foi nesse estado de euforia festiva que se passou o intercom, quanto ao conteúdo educativo a ser passado nos dormitórios, cantaram e dançaram pagode. Aham, pagode.
A fase do "pagodinho" se passou de sexta para sábado, no alojamento Tiradentes, antes de enfrentarmos a longa fila do 540 PUB. Digo, foi na fila que a troca de sotaques gaúchos se intensificou.
Ah sim, o pagode. Era segundo dia de intercom, o relógio do celular marcava 21 horas e iríamos para os alojamentos. Foi aí, justamente nesse horário, que me partiu o coração: eu não pude ir confraternizar as piadas contadas naquela sexta-feira gelada, porém risonha. Tive que ir ao banco, tirar uns 10 reais para passar a noite (pensa a situação...) O ingresso eu tinha, mais dez pila no bolso, eu era um rei. A cerveja custava quatro reais; bom, dava pra tomar duas e sobrava dois, ainda. E seguia a noite.
O banho estava quente. Ta, as pessoas, em um dos abrigos, dormiam com o colchão no chão, porém era de graça. Outra coisa, esse intercom foi o único que disponibilizou alojamento grátis. E de graça, meu filho... Só não vale virar puto e nem dedo no olho.
Resumindo tudo, se tivéssemos que fazer isso novamente, teríamos o maior prazer em repetir esse momento. Passaríamos as noites acordados, em pé, esperando os estudantes na rodoviária, ou limpando banheiro de alojamento (essa parte não foi tão higiênica não), recepcionando o pessoal; indicando uma pizzaria no lugar de galeteria; atuando até como guia turístico (sim, já da pra se perder em Passo Fundo); mecânico (nem que seja para abrir a porta de um carro com a chave dentro, como para dar carga em uma bateria); também atuamos como piadistas, mas só nas horas vagas (teve hora vaga?).
E o intercom foi isso, um pouco mais, bem mais que isso. Fim.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Bienal da Une: um rio chamado ilusão

Por: Gilberto Junior
“União Nacional dos Estudantes luta contra norte-americanos mas usa jeans, Adidas e se duvidar come no Mc Donalds”.
Foi bem coisa de estudante. Em cima da hora resolvemos ir para a bienal da Une. Mochila nas costas, carona com uma galera de Ijuí, pouca grana no bolso e 26 horas de estrada rumo ao estado fluminense.
A quinta bienal de arte, cultura e ciências da União Nacional dos Estudantes aconteceu entre os dias 27 de janeiro a dois de fevereiro desse ano. O ponto marcante do evento foi a Culturata, uma caminhada até a antiga sede da Une que foi tomada pelos militares em 1964.
Mais de 11 mil estudantes de todo o país se manifestando, articulando, politizando de uma forma pervertida, muitos não sabiam a bandeira que estavam levantando naquele momento de euforia. Sim, o jovem brasileiro é manipulável.
O que mais se vê em eventos como esse é gente com Che Guevara estampado no peito, gritando contra o imperialismo norte-americano e contra o neoliberalismo. Todos em uma só voz, exaltados, clamam pela União Nacional dos Estudantes. Uma grande maioria, num sentimento de democracia, aposta na igualdade dos povos. Isso na verdade é ingênuo.
Não se pode sair por aí dizendo que a bienal foi só tragédia. Houve momentos de felicidade. A visita ao Cristo Redentor foi um deles. Copacabana, Ipanema, Barra da Tijuca, por exemplo, influenciaram na visão política, democrática e igualitária inexistente. O Rio de Janeiro continua lindo. Ainda lembro quando era pequeno e queria mudar o mundo tomando leite e Nescau. Mas a experiência que tive com a proposta imposta pela Une, concluí que com essa farda não se muda nada.
As contradições são visíveis e nada entendíveis. A imagem de um jovem que luta contra o imperialismo norte-americano que usa jeans e Adidas, me faz pensar o quanto incoerente é esse movimento. Uma bienal que prega mudanças com políticas diferentes, só que no palco passam cenas anacrônicas e de pensar utópico.
De fato, o jovem pede mudanças e até tenta mudar a situação catastrófica do país, mas é levado e manipulado pela sede de poder. A idéia de que a Une, maior entidade estudantil do país, diz usar uma nova forma de política, não foi presenciada na bienal, pelo menos foi o que eu vi, senti e escutei.
"Vale milhões de vezes mais a vida de um único ser humano do que todas as propriedades do homem mais rico da terra". Falou um dia Che Guevara. Será que Che está sendo bem entendido por seus adeptos? Não. Guevara lutava por justiça, igualdade e era generoso. Hoje se levanta uma bandeira contra a fome, mas não para acalmar o estômago, e sim para se esconder atrás do mastro até se alcançar o trono.
Numa tarde da bienal, sentei num bar e pedi uma água. O calor não me abatia tanto quanto os painéis de bobagens que se passava na Lapa. Sentou ao meu lado um estudante, que faz parte dos movimentos estudantis há muito tempo. Comentei com ele a minha frustração com a Une e com a bienal, cogitei estar impaciente com tanto discurso pronto. Respondeu ele: “É que todos aprendem com os mais velhos. Os caras vêem que sem poder não adianta nada e acabam seguindo a mesma linha de pensamento dos atuais políticos”. Com essa resposta não precisei de mais nada. A luta é longa e vaga. Ele usava jeans, camiseta branca e all star.
O que adianta uma bienal revelar sua indignação com os EUA quando o Brasil está virado numa bagunça. Não precisamos atravessar o Atlântico pra ver desgraça. Na nossa pátria, milhões de pessoas morrem de fome todo ano. Uma guerra é iniciada a cada segundo em diferentes cantos do país. A realidade é que o jovem age com demasiado entusiasmo e esquece de limpar o próprio nariz.
Se antigamente a Une influenciou na mudança da terra tupiniquim, atualmente, num olhar profundo, é manipulada pelo governo e leva consigo uma grande parte de adolescentes possuídos pela sedução do espírito revolucionário. Acredito que precisamos de mais objetividade e menos utopias. De projetos o mundo está cheio. Pra mim, a bienal da UNE foi nua, vazia e imparcial. A bienal pregou o verde e amarelo, mas em certas atitudes vestiu azul e vermelho.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
E dá-se o começo...
Salve, salve... Está no ar o Blog Malabarismo sem Maquiagem. Vamos aos fatos, agora formado Jornalista, estava a pensar uma forma de publicar minhas idéias, textos em algum lugar onde consiga falar sem maquiagem, ou seja, sem seguir regras jornalísticas e colocar luvas nas mãos para poder publicar textos, artigos, crônicas e gêneros afins.
Todo mundo deve estar se perguntado o porquê de Malabarismo sem Maquiagem. Todo mundo sabe o quanto é difícil conseguir tornar público idéias que possam comprometer uma entidade, o nome de alguém devido a sua posição social, empresa, instituição mesmo estando atuando dentro de qualquer meio de comunicação. Agora imagina como é difícil conseguir fazer com que algumas matérias jornalísticas tomem proporções maiores além da pasta de documentos em que fica guardada no computador, é um malabarismo fazer com que alguém as leia. Já Sem Maquiagem vem da família da palavra "sem censura". Parece que 1964 ainda está entre nós, pois algumas idéias a
inda não podem ser faladas e/ou escritas que a baixaria toma conta do cenário. Enfim, o título Malabarismo sem Maquiagem foi criado através da dificuldade que se encontra pra firmar uma matéria, pensamento, conceito, opinião com a ousadia de poder tornar explícito, sem papas na língua, estas formas de expressão.
O Malabarismo sem Maquiagem é composto por apenas um jornalista, Gilberto Bernardi Junior, caso alguém queira publicar algo neste espaço, tenha bondade, só enviar para o e-mail gibajornalismo@yahoo.com.br fotos, textos, opiniões, crônicas, artigos são bem vindos.
As intenções do blog, não é atingir ninguém ou elevar alguém, é apenas opinar, informar, detalhar. Textos particulares tomarão, sim, conta do espetáculo, assim como, os políticos tomam conta do nosso dinheiro. Talvez eu escreva dia sim, dia não. Talvez eu escreva dia não, outro não, outro sim. Não importa, o que vale é publicar quando a idéia vir a tona na cachola.
Música, cinema, política, economia, teatro, macumba, arte, entretenimento, ecologia tudo o que existir e que eu tenha base e senso crítico pra poder dar meu parecer, publicado aqui vai estar.
Como é mania de jornalista buscar a perfeição, eu não gostei do que acabo de escrever, porém, estou com pressa. É apenas a apresentação do blog, e a idéia não é fazer um belo texto, falando de malabarismo de circo ou da maquiagem de uma bela mulher, é apenas uma apresentação.
Os textos "exibidos" aqui, sempre serão assinados. Caso contrario tornar-se-ão excluidos antes de tornarem-se celebridades.
Com vocês, MALABARISMO sem MAQUIAGEM.